segunda-feira, 24 de março de 2008

A HONRA DE UM HOMEM





Amigos Tricolores,

Estreando a Seção Recordar é Viver..., contarei um fato pouco conhecido pelos torcedores atuais do Bahia, mas que foi muito marcante na época em que ocorreu.

O Jornal Diário da Bahia de 04 de julho de 1934 estampou a seguinte manchete:

"SUICIDOU-SE UM JOVEM SPORTMAN BAHIANO
Bitonha, do Sport Club Bahia, ingeriu grande dóse de cyanureto"

No dia 02 de julho de 1934, no Campo da Graça, durante um festival em homenagem ao dia do esportista, aconteceu uma partida de futebol amistosa entre as equipes do Bahia x Vitória.

O jogo transcorria normalmente com o Bahia vencendo por 2x1 quando o árbitro Vivaldo Tavares marcou um pênalti em favor do Vitória. O atacante Barbosa executou a cobrança, mas Nova, o goleiro tricolor, conseguiu defender a penalidade, porém, em virtude de ter se adiantado, o tento não foi validado. Na segunda cobrança, o gol foi assinalado, porém havia a presença de alguns jogadores dentro da área, motivo este para retomar a cobrança, o que não ocorreu. Após a confirmação do gol, houve muitos protestos dos jogadores e da torcida do Bahia.

Ao finalizar o 1º tempo, um jogador do time amador do Bahia chamado Bitonha, entrou em campo e agrediu o árbitro com um soco no olho esquerdo. O árbitro revidou o golpe com um pontapé que não atingiu o alvo. Formou-se um verdadeiro "sururu" (como dizia na época) com uma briga generalizada. Com o fim da confusão, os jogadores foram para os vestiários aguardar o início do 2º tempo. Porém, durante o intervalo, Bitonha foi preso.

No dia posterior, envergonhado com a repercussão da notícia dada pela imprensa, Bitonha afirmou para Dr. Odilon Jorge Franco Sobrinho, também jogador do Bahia, que teria vergonha de andar na rua, já demonstrando sua intenção de suicidar-se. Pouco tempo depois da visita do amigo, por volta das 11:00h do dia 03 de julho de 1934, Bitonha tomou um copo com grande porção de cianureto de potássio e, minutos depois, veio a falecer, mas antes deixou uma carta para sua genitora.

Na carta, ele declarava sua vontade em deixar uma determinada quantia de dinheiro e uma casa para seu amigo Gambarrota (também jogador do Bahia). No documento continha acusações a terceiros e agradecimentos ao Dr. Fernando Tude, Secretário do Esporte Clube Bahia por suas atitudes de boa vontade para com ele.

Antonio Fernandes da Costa, o Bitonha (como ficou conhecido), tinha 23 anos de idade, era filho de Maria da Conceição Fernandes, tinha quatro irmãos e era uma pessoa muito querida no meio esportivo. Era jogador amador, foi sócio-fundador e torcedor apaixonado do Esporte Clube Bahia.

5 comentários:

Anônimo disse...

parebéns pela idéia de contar histórias do nosso glorioso Bahia.
Adorei...

Anônimo disse...

Rapaz...que história, hein?
Abração e Boa Sorte no novo Site.

Anônimo disse...

Bizzara essa historia... pelo menos esse jogador teve vergonha na cara da besteira que fez e se matou... pior quem faz isso hoje em dia e ainda fica solto na rua...
enfim... parabens pelo site, Sucesso

Anônimo disse...

É primo Vinni,
Antigamente as pessoas se envergonhavam de fazer coisa errada. Hoje, está essa descaração.
Abração e Obrigado pela força!

Anônimo disse...

Puxa, qu história triste!